NowSport, 9 aprendizados - Minha primeira Venture, foi só porrada, rs.
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Os 7 aprendizados da minha primeira startup, o NowSport.
Foram muitas conquistas e realizações na minha primeira venture. Captamos EUR130k em rodada que poderia ser considerada Pre-Seed hoje em dia e lançamos um aplicativo de esportes na Apple Store e Android para mais de 2.000 usuários ativos na Alemanha, expandindo depois, para o Brasil. Porém, as cartas do jogo não estavam 100% equilibradas o que dificultou para que um modelo de rede social, B2B2C se estabelecesse em 20018. Se a startup não tiver equilíbrio vai entrar na estatística de que 18 em 20 infelizmente não dão certo.
Listei aqui alguns dos principais aprendizados que eu e outros 3 co-fundadores aprendemos na prática, para compartilhar esta experiência e você ganhar tempo na sua jornada. Qualquer dúvida já sabe com quem falar!
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Você nunca perde, ou você ganha ou você aprende!
O Que Aprendi na Minha Primeira Startup
A minha primeira startup foi uma sequência de aprendizados, um atrás do outro. Lembro como se fosse hoje, quando estava com meus cofundadores — amigos do meu primeiro intercâmbio na Alemanha. Naquela época, as redes sociais estavam em alta, com Facebook, Instagram e WhatsApp em crescimento, e o momento era de muito foco em mídias sociais. Eu vinha de Banking, tinha bastante conhecimento em modelo de negócios, captação de recursos e estruturação financeira, mas não fazia ideia do que envolvia o desenvolvimento de tecnologia, mentalidade ágil, SaaS, ou até o que era necessário para uma startup de aplicativos.
Nossa ideia era muito parecida com a do Gympass, que inclusive nasceu no mesmo ano. No entanto, o Gympass foi fundado por empreendedores experientes, que já conheciam bem o modelo SaaS e acertaram na construção do negócio. Nós, por outro lado, desenvolvemos uma rede social sem ter ideia de como alavancar um modelo B2C para viralizar, especialmente em um mercado que é extremamente intensivo em capital — precisávamos de muito dinheiro para marketing e desenvolvimento. Diferente das histórias do Facebook e de outras que viralizaram por conta de um timing de mercado oportuno, nós enfrentamos muitos desafios e cometemos vários erros.
Os aprendizados:
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IDEIA
1. Falta de Simplicidade
O primeiro aprendizado foi não entender o valor da simplicidade. Desenvolvemos um produto que tentava resolver várias dores ao mesmo tempo. Criamos um aplicativo cheio de funcionalidades: o usuário poderia encontrar entidades esportivas próximas, se comunicar com elas, publicar fotos, entre outros. Entretanto, não havia uma funcionalidade principal clara, UMA.
Muitas startups que viralizam começam com apenas uma solução para um único problema específico do mercado e, só depois, expandem, complexam após subir o nível de consciência do usuário. Nós tentamos fazer tudo ao mesmo tempo, criando um "elefante branco".
Não focamos o suficiente no cliente. Gastamos muito mais tempo em desenvolvimento de produto do que entendendo as reais necessidades do cliente, uma coisa é dor/necessidade outra é good to have, existe uma grande diferença entre esses conceitos.
Deveríamos ter investido muito mais em ouvir os usuários e as entidades esportivas, inicialmente focando em B2B para depois evoluir para o B2B2C. Assim, poderíamos ter desenvolvido apenas o que realmente seria essencial, sempre focando na solução mínima viável, ligada a dor.
Desenvolvimento de dentro para fora do que de fora para dentro;
Ideia a 7 chaves não funciona. Não se trata sobre ideia mas sobre a equipe certa para fazer algo dar certo;
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MODELO DE NEGÓCIO
3. Modelo de Negócio Complexo B2B2C
O segundo aprendizado foi adotar um modelo de negócio B2B2C logo de início. Começar com um modelo mais complexo sem a experiência necessária complicou a operação. Não estou dizendo que começar com um B2B2C é errado, mas, se você quer atuar com maior probabilidade de sucesso, começar com um modelo B2B é muito mais prático, óbvio isso né? É mais simples e aceito pelo mercado de VC, inclusive, especialmente quando se trata de captar ou validar uma solução inicial.
4. Falta de Monetização desde o Início
Outro aprendizado foi não conhecer o modelo SaaS e não monetizar desde o início. Criamos um produto gratuíto que não tinha plano de monetização desde o "dia zero". Uma das lições mais importantes é: sempre busque uma forma de monetizar desde o começo. Principalmente hoje em dia.
Nãoconheciamos SaaS. Portanto, alguns outros artigos de dica se quiser aprofundar:
Sabe aquela frase: “Não invente a roda”?. Pois é, muita gente fala mas nem sempre enxergamos. Se quiser facilitar, sugiro sempre olhar para um modelo que já foi viabilizado e vendido por alguém em ALGUM LUGAR DO MUNDO, rs. A inovação é importante, mas, para o desenvolvimento de uma primeira venture, replicar um modelo que já existe em alguma parte do mundo é uma estratégia mais smart e pé no chão.
Tem muita coisa que já funciona, que já tem um posicionamento validado e que sua adaptação para uma nova região ou mercado sempre apenas uma tropicalização. É muito mais ágil do que tentar inventar a roda desde o início. Infelizmente o Brasil não é um país para pioneiros e o modelo exponencial de startups já é muito mais trick. Outra, não basta simplesmene replicar algo, qualquer business, se você quiser entrar na lista dos preferidos pelos VCs sugiro um forte trabalho de autoconhecimento para construir algo ligado a sua vida, causa e consequentemente, seu propósito.
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EQUIPE
Falta de Experiência e Complementaridade no Time
Nosso time não tinha a experiência necessária em startups. Um dos membros era um investidor mais velho, com grande experiência corporativa, mas sem conhecimento de startups ou mentalidade ágil. Quando falo conhecimento to falando alguém que já vendeu empresa, não alguém que entregou empresa. Os outros membros também não eram tão complementares em termos de expertise — tínhamos alguém de marketing, outro com perfil operacional, mas nenhum de nós tinha experiência prática com startups, MVPs ou venda de produtos mínimos viáveis.
Time de Desenvolvimento Não Interno (In-House)
Não tínhamos um time de desenvolvimento próprio. Decidimos contratar uma empresa terceirizada para o desenvolvimento, mas isso trouxe muitos problemas. Uma equipe terceirizada atende diversos clientes e, por isso, não estava totalmente focada no nosso propósito. O ideal é ter um desenvolvedor “in house" ou pelo menos ter um acordo claro para trazer essa expertise como full time, quando a empresa alcançar um certo patamar. Isso aumenta muito a probabilidade de sucesso.
Part time não funciona;
Todoserammuitoenvolvidosemtudo;
Discutíamosmuito o que e poucocomo, nãoconheciamos agile nem scrum a fundo;
Time de tech externo, esquece;
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CAPTAÇÃO
Excesso de alocação de recursos em produto. Outro aprendizado foi na alocação do capital. Investimos 90% dos recursos em tecnologia e desenvolvimento de produto, quando o principal objetivo deveria ter sido investir mais em marketing para validar a tese.
Hoje em dia, vemos startups do Vale do Silício priorizando o CAC (Custo de Aquisição de Cliente) como se fossem multinacionais precisando viabilizar uma nova demanda ou produto. O Americano é porrada em marketing. O foco principal nosso deveria ter sido em landing pages, marketing e na validação com clientes. O investimento inicial deve ser total em topo do funil — marketing e vendas. O produto, nesse momento, deve ser o mínimo possível, e só depois você desenvolve mais quando já tiver validação de vários clientes interessados em pagar pelo seu produto. A não ser que você esteja em 2nd venture e extremamente capitalizado, aí o jogo muda.
As melhores pessoas para você investir em um modelo MVP é um puta de um CMO, depois um belo de um CFO para não fazer besteira na diluição, captação e cap table.
Focar em Smart Money. Além disso, os investidores que trouxemos não eram tão "smart money". Não eram pessoas que nos inspiravam ou que tinham construído algo que desejávamos alcançar, tinham construído outras coisas mas não as que queríamos, entende a diferença? Eram apenas pessoas com recursos financeiros e carreiras admiráveis.
Esse é um erro comum de muitas startups: não traga apenas dinheiro, traga investidores que sejam smart money, pessoas que te inspirem e que já tenham feito o que você quer fazer.
Zero smart money;
Poucofocoem funding;
95% capital investidoem tech;
Esta bom de dicas? Tem muito mais coisa, pode parecer simples mas te garanto que não é, infelizmente todos nós aprendemos na prática, sugestão, tenha sempre excelentes mentores por perto, em todos os estágios e com as mais diversas experiências.
Esta foi a primeira venture, em breve conto da segunda, terceira e quarta que deram certo pois aprendi a não ficar cego na inércia hehe!